Como a evolução tecnológica conta a história impressa: desde o primeiro jornal regular na Roma Antiga até o jornalismo on-line dos dias atuais.
Por Keila Brenda e Alessandra Gálatas
Roma, 59 a.C, Júlio César ordena que os principais eventos políticos e sociais (guerras, sentenças judiciais, nascimentos, óbitos e casamentos) sejam divulgados aos seus concidadãos. Nasce Acta Diurna, o primeiro passo rumo à evolução do jornalismo impresso.
Mas o que ninguém esperava era que um mandarino chamado T’Sai Lun, numa China remota em 105 d.C, conseguisse realizar a façanha de substituir a seda , usada até então para registrar a escrita, por um material fabricado de fibras têxteis, que, misturadas à cola vegetal e água, formava uma folha de papel. Uma invenção revolucionária dessas só podia ser mantida em segredo. E foi o que aconteceu por séculos!
Contudo, o mundo precisava tomar conhecimento e em 751 os árabes descobrem o tão misterioso método de fabricação do papel. E daí pra frente o monopólio no Oriente Médio é quebrado chegando em 1109 à Europa.
Mesmo que poucos ali soubessem ler e escrever, o judeu Johann Gutenberg no séc. XV, mais especificamente em 1447, aposta confiante em sua mais importante criação: a prensa de tipos móveis de impressão. Processo este que possibilitou a produção em massa da palavra impressa. Caracteres avulsos gravados em blocos de chumbo, rearrumados numa tábua para formar palavras e frases do texto. Escritos em grande escala estimulavam a produção artística e literária da época. E assim inaugura-se a era do jornalismo moderno revolucionando a comunicação.
E evoluindo mais um pouco, Ottmar Mergethaler cria em 1886, o linotipo, uma máquina capaz de compor linhas inteiras, não como a tipografia de Gutemberg que exigia a seleção individual das letras, mas produzindo linhas de textos na largura prevista para a coluna do jornal, livro ou qualquer outro impresso. Esse foi o primeiro passo para a diagramação dos materiais impressos.
Uma evolução ora lenta, ora acelerada, mas sabemos que foi com a Revolução Industrial, no séc. XVIII, é que o jornal ganhou formatos semelhantes ao que se tem hoje: como meio de comunicação para as massas.
Chumbão aposentado (um resquício de impressão quase artesanal da década de 70), entra agora em cena os primeiros sistemas de composição a frio. E as maquinas de escrever que tinham seu lugar nas mesas dos jornais, logo foram substituídas por computadores ligados a uma central. Aparecem até sistemas de paginação com espaço para foto!
A agilidade e a redução de custos são inegáveis, mas quem teve de se adaptar a todas essas mudanças que ocorreram foi o pobre do jornalista, que por outro lado teve seu trabalho facilitado: agora pode controlar número e tamanho das páginas, inserir títulos e fotos, programar a extensão de seus textos e passar tudo isso da sua máquina para o terminal de impressão num clicar do mouse.
Não demorou muito para que em 1994, surgisse o primeiro diário independente on-line na internet. Era mais um marco na história tecnológica do jornalismo impresso. De lá até os dias atuais assistimos uma verdadeira avalanche de outros jornais on-line com seus lugares sempre disponíveis para qualquer indivíduo do planeta. Hoje, não tem como comparar a difusão dos jornais on-line com a pequena distribuição feita em papel.
Assim, o jornalismo impresso terá que rever seus conceitos, ou seja, os modos de organização, abertura para novos investimentos, suas estruturas e seus conteúdos. E aquele velho jornalista terá de adaptar-se a essa mudança brusca: agora os cidadãos comuns – dos lugares mais inusitados e distantes que se possa imaginar – já podem contribuir com informações ou críticas se utilizado do hipertexto, ferramenta essa muito difundida pela Web 2.0.
Mas nem tudo está perdido, a impressa ainda poderá alinhar-se ao novo contexto criando mecanismos de desenvolvimento acelerado. E para esse fato não há muita opção, ou entra no mundo da Web ou o jornal vai servir pra embrulhar copos e ovos no mercadinho da esquina.
Saiba Mais:
http://www.saladeprensa.org/art135.htm
http://hipertexto.unisantos.br/modules/xt_conteudo/index.php?id=17
http://www.anj.org.br/jornalanj/index.php?q=node/181
http://www.imultimedia.pt/museuvirtpress/port/frame2.html